sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Bom baiano

De vez em quando aparecem no futebol brasileiro figuras espontâneas que fogem do padrão "vamos dar o melhor de si para vencer o jogo".
São alguns cartolas que acabam folclorizados pela imprensa, como Vicente Matheus, ou jogadores como Dadá Maravilha.
Vampeta é um desses personagens. O baiano sabe falar verdades com fina ironia ("o Flamengo finge que paga, eu finjo que jogo"), constrói frases marcantes e cria polêmicas na base de provocações aos rivais, bem no estilo Muhammad Ali.
Quem convive com ele diz que é uma liderança positiva, que une os grupos em que está. Por isso a sua importância nesse Coríntians complicado de hoje.
Pena que existam poucos jogadores como ele. Alguns até que tentam se destacar da mediocridade geral, mas conseguem, quando muito, ser agressivos.
Com suas saudáveis "abobrinhas", Vampeta colore com cores alegres o cinzento futebol brasileiro de hoje em dia.


Ataque ou defesa

Radialistas esportivos e congêneres desmancharam-se em elogios ao goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, por ele ter defendido um pênalti nos minutos finais do jogo contra o Atlético mineiro.
Rogério, como faz usualmente, descumpriu a regra e adiantou-se antes de o batedor ter tocado a bola. Nos microfones, gabou-se de sua esperteza, justificando que goleiro só consegue pegar pênalti agindo dessa forma.
Mentira. Muitos já se saíram bem fazendo tudo certo. Mas como ele percebeu que na maioria das vezes os árbitros ignoram a infração, usa essa leniência a seu favor.
Ceni é apenas um fiel cumpridor da lei mais aplicada no Brasil, a de Gerson, aquela que manda as pessoas levar vantagem em tudo.
Os torcedores são-paulinos, que têm em Ceni um ídolo, dão a ele toda a razão do mundo. Provavelmente, em breve, ele será imitado pelos goleiros adversários. Aos árbitros restará fechar os olhos ou fazer o que manda o livrinho de regras.
Será interessante ver quem se sai melhor, o ataque ou a defesa.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Um, dois

Brasileiro gosta de um desfile. O de 7 de Setembro é uma tradição inteiramente arraigada na população. É a única ocasião em que as pessoas se lembram da nação como entidade própria, mesmo que as lembranças sejam confusas e maquiadas.
FHC disse, no seu retrato publicado na revista Piauí, que acha os desfiles de 7 de setembro ridículos. Comparecia, quando era presidente, por obrigação. E não aguentava o vento de Brasília, que desmanchava seu cabelo.
FHC passou e os desfiles permaneceram. Cada vez melhores.
Assim como o país que ele tentou destruir.

Gigante

Morre Pavarotti. Antes dele, poucos no mundo sabiam o que era um tenor. Ou tinham sequer ouvido uma ária. Pavarotti, com uma ajuda de Plácido Domingos e José Carreras, os três tenores, popularizou como nunca o canto lírico, levando-o a milhões em todo o mundo. Esse foi sem dúvida seu maior feito. Mas seu maior legado foi mesmo a sua arte, registrada em inúmeras gravações e imagens.
Que voz! Que músicas!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Microinimigo

O governador José Serra inicia a operação pente fino para tentar matar quantos mosquitos da dengue puder no Estado de São Paulo, que registra número recorde de casos da doença.
O mosquito parece perseguir Serra. Foi assim quando ele era o ministro da Saúde no (des)governo FHC ("o melhor ministro da Saúde do mundo", dizia sua propaganda eleitoral). A epidemia foi tão forte que Serra recebeu o nome de "ministro da dengue".
Tanto tempo depois, todos achavam que ele havia aprendido a tratar do problema. Serra gosta de dar a impressão que sabe de tudo. Seu personalismo é confundido com firmeza. Sua arrogância, com sabedoria. Mas, como se vê, está longe disso.
É tão frágil que se deixa derrotar por um mosquito.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Os sem-mídia

Cresce o Movimento dos Sem-Mídia, criado por Eduardo Guimarães em seu blog Cidadania. Cerca de cem pessoas já confirmaram que estarão no dia 15, sábado, às 10 horas, em frente ao prédio da Folha de S. Paulo para reivindicar informação correta, fidedigna, imparcial e honesta.
Muitos podem achar tal iniciativa exótica e sem propósito. Podem inclusive argumentar que no Brasil existe plena liberdade de imprensa. É um direito. Como o é achar justamente o contrário: que a mídia no Brasil é dirigida por meia dúzia de famílias que usam a informação a seu bel prazer.
Os integrantes do MSM certamente se sentem incomodados com a informação que recebem e isso é motivo para que eles saiam às ruas para pedir coisa melhor.
A democracia não é uma maravilha?

domingo, 2 de setembro de 2007

Miau

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem agora uma excelente oportunidade para exercer de fato seu poder de mando - que vem exibindo com tanta desenvoltura nesses últimos anos.
Só que desta vez terá de mostrar qualidades bastante raras nos homens públicos. Coragem, por exemplo.
Se ficar calado a respeito da insubordinação dos chefes militares, que repudiaram o conteúdo e o lançamento do livro " Direito à Memória e à Verdade", patrocinado pelo governo federal e que expõe os horrores promovidos pela ditadura militar, Jobim será mais um ministro da Defesa de fachada, sem comando nem autoridade.
Jobim, que já citou Deng Xiao Ping no seu discurso de posse ("não importa a cor do gato desde que ele cace os ratos"), certamente não gostaria que coubesse a ele uma expressão criada justamente pelo chefe de Deng e fundador da moderna China, Mao Tsé Tung, que se referia aos Estados Unidos, na época feroz inimigo do Império do Meio, como um "tigre de papel".

sábado, 1 de setembro de 2007

Solidariedade

A Daslu, megabutique de luxo paulistana, recebeu a ajuda de um grupo de amigos (ou de um fundo de investimento, se preferirem o eufemismo) para quitar dívidas e, assim, permanecer aberta. Não foi pouca coisa: R$ 20 milhões.
Além do dinheiro, a butique cortou despesas - demitiu funcionários e limitou o cafezinho para a clientela.
A crise que atinge o playground preferido da elite brasileira começou depois que a Polícia Federal descobriu que a empresa cometia diversos crimes fiscais.
Não que o movimento tenha caído assustadoramente. O problema é que trabalhar dentro da lei exige tanta - ou mais - competência que formar uma organização criminosa.
Mas, como se viu, sempre resta um último recurso para aqueles que estão na pré-escola do capitalismo: a solidariedade dos iguais.
A vida é bela.